Vazamento de mensagens íntimas, preconceito e
intolerância são situações vivenciadas por todos os
que se aventuram na internet, inclusive adolescentes. Nessa fase da vida, marcada pela construção
da identidade, capacidade de interação e conquista
de autonomia, se envolver como agente ou vítima
em casos de humilhação, ofensas, ameaças ou
discursos de ódio e intolerância tem um grande
impacto no desenvolvimento do indivíduo.
Valorizando o papel da escola como espaço
privilegiado de aprendizado e desenvolvimento
integral de adolescentes, este material apresenta dados de pesquisas e enquetes sobre o uso da
internet e aponta recomendações para que os
educadores desempenhem com segurança a sua
responsabilidade pela formação de cidadãos no
mundo contemporâneo.
Para isso, é fundamental compreender a adolescência como uma fase de oportunidades e dialogar
com esse sujeito capaz, ativo e conectado, que
constrói narrativas sobre sua vivência e seu mundo. Isso requer uma postura mais colaborativa e
menos autoritária dos educadores e adultos em
geral. Juntos e com muito diálogo, adultos e adolescentes podem pesquisar caminhos e elaborar
estratégias de segurança na internet, constantemente revistas e atualizadas.
Para abrir um canal de diálogo com o adolescente,
os adultos devem se guiar por um interesse genuíno em tentar entender o seu universo, sua atitude
e as novidades de sua vida. Os educadores atuam,
portanto, como mediadores, reconhecendo que são
os jovens que conduzem o processo que os envolve
e os transforma.

Confira os resultados das enquetes do U-Report Brasil, plataforma de consulta a adolescentes e jovens sobre seus direitos. Os resultados estão disponíveis em www.ureportbrasil.org.br e podem ser usados como motivadores de debates em sala de aula.
90% das respostas indicam que as escolas nunca realizaram atividades para discutir o tema da privacidade na internet.
Professores e familiares são reconhecidos como pessoas a quem recorrer em casos de ofensas na internet por 85% dos respondentes.
As opiniões se dividem em relação aos nudes (troca de imagens íntimas). Enquanto 40% das respostas condenam a prática, 34% a consideram uma expressão da liberdade sexual. O tema pode gerar um debate interessante sobre normas sociais que reproduzem a desigualdade de gênero, uma vez que as consequências sobre vazamento de nudes costumam ser mais graves para as meninas. Enviar conteúdo íntimo é uma escolha, mas compartilhar sem o consentimento de quem mandou pode se configurar como crime. Será que os adolescentes sabem a quem recorrer nessa situação?
Educação sexual é citada em 37% das respostas como estratégia para prevenir o vazamento de nudes. As escolas têm espaço para diálogo sobre sexualidade?
78% sofreram violência na internet. Ofensas (33%), preconceito (21%) e mentiras (21%) foram os tipos mais comuns. Com quem os adolescentes conversam sobre possíveis causas e consequências dessa violência?
- Conte com o apoio de adolescentes para traçar estratégias de implementação da lei antibullying em sua escola. A lei 13.185, que já está em vigor desde 2016, criou o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying), que deve ser debatido e colocado em prática pelas instituições de ensino de maneira participativa.
- Discuta a consequência de atitudes positivas e negativas na internet ao longo da vida dos estudantes. Que memória virtual os adolescentes querem construir? A internet é como uma grande praça pública. Atitudes ofensivas não são toleradas na interação pessoal. Por que seriam em ambientes virtuais? A internet não é terra sem lei. Mais sobre as consequências de ações ofensivas na rede em safernet.org.br.
- Aposte na educação entre pares. Adolescentes possuem uma ampla capacidade de mobilização e comunicação. Ao criar um centro de ajuda antibullying, por exemplo, os estudantes não somente devem ser chamados para construir essas ferramentas, como também devem ter responsabilidade real sobre elas, agindo como partícipes e não apenas beneficiários.
- Fuja das lições de moral. Uma lista de proibições seria facilmente burlável. No lugar delas, construa com os estudantes a noção de autocuidado e cuidado com os outros, alertando para consequências emocionais e responsabilidades legais.
- Uma abordagem excessivamente paternalista peca por não reconhecer nos próprios adolescentes os principais agentes de mudança para enfrentar o bullying e suas facetas na Internet.
- Valorize a trajetória dos adolescentes, suas vivências e sua capacidade de identificar quais aspectos precisam ser mudados e quais os caminhos para promover essa mudança.
- Proteger adolescentes em sua fase de desenvolvimento é responsabilidade de todos - governos, ativistas, escolas, famílias - mas também das empresas que desenvolvem plataformas e aplicativos. Discutir o uso da Internet como ferramenta de propagação do bullying é também discutir a responsabilização das plataformas na educação para uso responsável das ferramentas, incluindo recursos de segurança e denúncias disponíveis.
- A web é a extensão da vida social, ambiente do cotidiano dos jovens, que estão o tempo todo conectados, consultando as páginas digitais, às vezes mais do que as páginas dos livros didáticos. A escola não pode silenciar os estudantes enquanto as redes sociais dão voz a eles. Portanto, se os educadores não levam para as salas de aula este debate, ao invés de moralismos e proibições, o jovem fica somente com o discurso, por vezes equivocado, do que ele vê no mundo aberto das redes sociais, perdendo o contraponto que deveria ter na fala de um professor, por exemplo.
- Pais, professores e outros adultos de referência têm um papel fundamental para garantir a proteção de crianças e adolescentes, inclusive no ambiente virtual. Entretanto, isso deve ser feito sem prejudicar o seu direito à participação. Certo nível de aventura faz parte do processo de aprendizagem. Riscos e oportunidades precisam ser equilibrados. Ao navegar, produzir conteúdo, interagir e acessar conhecimento, adolescentes desenvolvem resiliência diante dos riscos.
- Atitudes proibitivas ou excessivamente restritivas vão na direção contrária à liberdade de expressão, garantida pela Convenção sobre os Direitos da Criança (Artigos 12 e 13), Estatuto da Criança e do Adolescente (Artigo 16) e Estatuto da Juventude (Artigo 26) e o direito à inclusão digital, previsto no Estatuto da Juventude (Artigo 7).
- Os riscos podem ser reduzidos com informações sobre segurança na internet, redução do fluxo de informações pessoais disponibilizadas publicamente e um ambiente propício ao diálogo para o aprendizado mútuo sobre como driblar os riscos e procurar ajuda nos casos em que sentem- -se vulneráveis.
- As soluções devem ser construídas em negociação com os jovens, atores fundamentais no processo que busca o desenvolvimento seguro de um ambiente muito frequentado por eles, o virtual.
- A ideia de que os adolescentes são “nativos digitais” e têm mais habilidade com as novas tecnologias não pode ser confundida com o seu nível de maturidade e conhecimento sobre direitos. É preciso respeitar a autonomia dos adolescentes e seu processo de aprendizagem inclusive em ambientes virtuais. Entretanto, é papel do adulto apoiar meninos e meninas em seu desenvolvimento, dialogando sobre o que acontece online ou offline, ponderando possíveis consequências e encontrando os caminhos para um uso saudável da rede.
- Procure materiais que abordem o assunto na linguagem dos adolescentes para gerar debates sobre o tema. Vídeos e memes sobre ciberbullying, privacidade, relacionamentos online, preconceito e intolerância na internet foram produzidos como parte de uma campanha do UNICEF com a participação de youtubers e estão diponíveis em www.internetsemvacilo.org.br. A SaferNet mantém cartilhas e um canal de ajuda disponíveis no site www.safernet.org.br. A equipe de atendimento é formada por psicólogos com treinamento adequado para atender, orientar e encaminhar denúncias, quando necessário, com respeito, anonimato e sigilo.
Fonte: Artigo em Safenet.org.br




















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